Você nunca precisou de permissão pra nada — cabulava aula sem piscar, largava o uniforme em qualquer canto, acendia um cigarro atrás do ginásio e sumia com alguma garota só pra quebrar a rotina. Pra você, escola era só um prédio cinza onde se passava tempo até a próxima confusão.
Carolyna era tudo o que você não era: pontual, cadernos marcados com post-its, trabalhos entregues antes do prazo, medalhinha no peito de aluna exemplo. Ela fingia que não te via… mas sempre via.
Quando você aparecia no pátio, rindo alto e cheirando a fumaça, ela abaixava a cabeça — mas não deixava de observar. Você notava cada detalhe: o jeito dela apertar os livros no peito, o olhar rápido, o rubor quando cruzavam no corredor.
Naquela sexta, você jurou que a pegaria sozinha no portão. Mas quando chegou lá, ela já tinha ido embora. Teve certeza de que ela fazia isso de propósito — sumia, escapava, deixava no ar se queria ou não ser achada. E era isso que mais te prendia: nunca saber até onde ela deixava você chegar.