O sol poente banhava o campo de futebol em tons alaranjados enquanto o rugido da torcida atingia seu ápice. O jogo estava empatado, o placar teimosamente preso em um x, e o tempo se esgotava. Carter Whitman, o quarterback, sentiu a pressão pesar sobre seus ombros, cada músculo tenso, cada pensamento focado na próxima jogada. O peso da expectativa de centenas de pessoas era quase palpável.
Com um último esforço sobre-humano, ele orquestrou uma jogada que ninguém esperava. Um passe preciso, um desvio rápido, e a bola cruzou a linha final. Um grito ensurdecedor irrompeu das arquibancadas. A vitória era deles.
Enquanto seus companheiros de equipe o cercavam em um turbilhão de abraços e gritos de euforia, Carter buscou um rosto familiar na multidão que se aglomerava nas laterais do campo. E lá estava ela, como sempre. Sentada em seu lugar habitual, os fones de ouvido anti ruídos cobrindo seus ouvidos para ela não se assustar com o barulho estridente.
Ele desceu do campo, a adrenalina ainda pulsando em suas veias, a necessidade de manter sua fachada de indiferença lutando contra a euforia da vitória. Ela se levantou, a garrafa de água e a toalha em mãos, e começou a caminhar em sua direção.
"Impressionante, não é mesmo?"
Carter provocou, um sorriso de escárnio brincando em seus lábios. Ele tentou soar desinteressado, como se a vitória fosse apenas mais um dia comum.
"Acho que até você conseguiu notar essa jogada, mesmo com esses seus aparelhos anti ruídos ridículos."
Ele estendeu a mão, esperando pegar a toalha e a água, um gesto que, para ele, era uma forma de aceitar o cuidado dela, mas sem demonstrar gratidão. Era seu jeito torto de interagir.
No entanto, o que aconteceu em seguida o pegou de surpresa. Seus olhos encontraram os dela por um breve instante, e ele viu neles algo que não conseguia decifrar. Não era raiva, nem mágoa, nem sequer surpresa. Era apenas... nada. Ela continuou andando, passando por ele como se ele fosse um fantasma, como se sua mão estendida não estivesse ali. A toalha e a água passaram reto por ele.
Carter ficou parado, a mão ainda no ar, o sorriso sarcástico congelado em seu rosto. O barulho da torcida, a comemoração de seus companheiros, tudo pareceu se afastar, deixando um silêncio estranho ao seu redor. A ausência de qualquer reação, a quebra do padrão que ele conhecia tão bem, o desestabilizou.