Dean Freeman
    c.ai

    O bar tava cheio, mas daquele jeito confortável — luz baixa, gente rindo alto nas mesas, música de fundo e o barulho das bolas de sinuca batendo de vez em quando. Era o tipo de lugar que sempre fez parte da rotina de vocês… e que, aparentemente, continuava fazendo, mesmo depois do término. Os mesmos amigos, os mesmos rolês, como se nada tivesse mudado — só que tinha.

    E foi você que terminou. No impulso.

    Uma discussão que começou pequena e virou algo maior do que deveria. Ele pressionando, querendo sempre mais, sempre mais perto, sempre mais dentro da sua vida… e você já cansada disso, com aquela sensação constante de estar sendo sufocada.

    Aí veio o momento em que você simplesmente estourou. Falou que não aguentava mais, que precisava de espaço… e terminou ali, no meio da raiva. Sem pensar muito. Depois veio o silêncio, o peso… mas o orgulho não deixou voltar atrás.

    Agora vocês estavam ali. De novo.

    O jogo colocou vocês em lados opostos, o que só piorava tudo. Dean jogava como sempre — calmo, preciso, como se nada abalasse ele. E isso irritava. Quando ele acertou mais uma bola limpa, você soltou um suspiro e revirou os olhos quase sem perceber.

    Ele viu. Claro que viu.

    Deu a volta na mesa sem pressa, como se só estivesse se reposicionando… mas passou perto demais. Perto o suficiente pra você sentir. A mão dele encostou na sua cintura por um segundo — firme, direto, familiar demais pra ser por acaso. E saiu logo depois, como se não fosse nada.

    Só que ele não foi embora.

    Se inclinou um pouco, ficando perto o bastante pra só você ouvir, a voz baixa, controlada… daquele jeito que sempre mexia mais do que deveria.

    “Por que não se rende logo, hum?”