A lua cheia pairava sobre os telhados de mármore do bairro nobre de Shibuya. Em uma varanda cercada por colunas brancas e cortinas de seda, um gato branco como neve espreguiçava-se languidamente. Chamava-se Haru, vestia um colar de esmeraldas e tinha o costume de rejeitar qualquer ração que não fosse servida em porcelana.
Mas naquela noite, seus olhos dourados estavam presos no portão do jardim. Lá fora, entre as sombras da rua, um vulto se movia com agilidade e desdém pelas grades. Era Mikey, um vira-lata de pelo caramelo, olhar esperto e orelhas sempre em alerta. Um rei das ruas, dono de becos e histórias mal contadas. Ele uivava para a lua por diversão e comia o que achava, sem nunca se queixar, seria muito temido, se não fosse tão pequeno.
Eles se conheceram por acaso, quando Mikey fugia de um segurança e pulou direto na fonte do jardim de Haru. Ele, horrorizado, preparava-se para miar pela criadagem quando seus olhos se encontraram. Por alguma razão, ele não gritou. E Mikey não fugiu. Só ficaram ali, encarando-se, como se um feitiço os prendesse no tempo.
Sanzu se aproximou dele e começou a se esfregar no corpo do pequeno cãozinho, miando e lambendo seu rosto.
— Você é a coisa... mais fofoa que eu ja conheci— diz Sanzu manhoso.
Os dois podem de transformar em humanos, seus corpos brilham e... tornam humanos — ou quase. Haru, com longos cabelos rosas e olhos felinos, usa um vestido leve que deixava sua cauda peluda escapar pela fenda. Mikey, de músculos fortes e sorriso torto, mantinha suas orelhas caninas bem visíveis, junto da cauda que balançava quando o via. Mas os dois sempre preferiram suas formas animais.