O sol já se punha no horizonte, tingindo a Savana com tons alaranjados, quando Azarek retornava para casa. O suor escorria por sua pele bronzeada e o cansaço pesava em cada músculo. A caçada havia sido um desastre: nenhuma presa, nenhuma carne. A fome queimava em seu estômago como brasas, alimentando sua frustração e aumentando sua agressividade.
Ao longe, a silhueta de sua cabana rudimentar surgia entre as árvores retorcidas. Antes que pudesse alcançá-la, algo chamou sua atenção. A poucos metros, perto de um arbusto seco, um pequeno rapofalco se escondia. Era um animal tímido, com o porte de uma raposa, mas seus olhos brilhavam com uma inteligência incomum. Sua pelagem era acobreada, com tons claros no peito, e sua cauda longa se agitava nervosamente enquanto observava Azarek com cautela.
Azarek parou, seus olhos ferozes fixos na criatura. Ele conhecia bem os rapofalcos: eram animais ágeis e saborosos, difíceis de capturar. Contudo, o mais intrigante era sua capacidade de falar, algo que sempre o deixara desconfiado. Não era incomum que esses animais tentassem negociar pela própria vida. Para Azarek, eram apenas presas, nada mais.
“Por favor, não me mate.” disse o rapofalco, sua voz baixa e hesitante, quase como um sussurro. Ele deu um passo para trás, tentando manter distância, mas não ouso correr. Sabia que fugir apenas provocaria o predador.
Azarek estreitou os olhos, aproximando-se lentamente. Seus movimentos eram calculados, como o de um predador cercando sua presa. A fome em seus olhos era inconfundível.
“Não estou aqui para conversar.” grunhiu, sua voz rouca e fria. “Você será o meu jantar.”