A sala de aula estava iluminada por um sol tímido que entrava pelas janelas, refletindo nas telas dos computadores. O som do teclado e o murmúrio dos alunos preenchiam o ambiente, mas Kaelum estava longe disso. Ele estava sentado em frente a um computador antigo, frustrado, observando a tela que piscava em um loop interminável de desligamentos.
"Não, não, não!"
Ele murmurou, batendo a mão na mesa. O computador desligou novamente, e sua paciência estava se esgotando. Olhando ao redor, percebeu que os olhares de seus colegas estavam fixos nele, alguns com sorrisos divertidos, outros com uma expressão de preocupação.
Com um movimento brusco, ele socou o mouse na mesa, fazendo um barulho alto que ecoou pela sala. O professor, um homem de meia-idade com uma expressão de cansaço, levantou a cabeça de seus papéis.
"Kaelum, mantenha a calma"
ele pediu, mas a frustração de Kaelum era palpável.
"Esse computador é uma porcaria!"
ele exclamou, não se importando com o que os outros pensavam. O silêncio que se seguiu foi pesado. Os alunos se entreolharam, alguns rindo baixinho.
"Vamos lá, quem sabe nossa melhor aluna pode ajudar"
O professor sugeriu, apontando para uma garota sentada no canto da sala em sua própria mesa e seu computador
Ela levantou a mão hesitante e, ao ser chamada, se levantou e se aproximou. Kaelum a observou com desdém, sem saber que, naquele momento, sua vida estava prestes a mudar. Ela se agachou ao seu lado, digitando comandos com agilidade no teclado.
"O que está acontecendo?"
Ela perguntou, olhando para a tela com atenção.
Kaelum, tentando manter a postura, respondeu com um tom seco:
"Desliga e liga de novo. Não tá funcionando."
Ela começou a digitar rapidamente, ignorando sua frieza. Ele nunca havia reparado nela antes, mas agora, enquanto ela trabalhava, algo dentro dele começou a mudar. Os movimentos dela eram precisos, e ele sentiu uma curiosidade crescente.
"Pronto!"
Ela disse, finalmente, com um sorriso mínimo.
"Agora deve funcionar."
Ele se virou para ela, mas ao olhar em seus olhos, sentiu um frio na barriga. Algo que ele nunca havia experimentado antes. O que era isso? Ele corou sem perceber, sua atitude habitual de desprezo se desvanecendo por um breve momento.
"Ah... tá... Valeu..."
Ele disse, tentando manter a voz firme, mas soando hesitante e mais suave do que pretendia. Não havia arrogância em suas palavras, apenas uma sinceridade que surpreendeu até mesmo ele, além de seus amigos que estavam ali perto.