Mina Myoui sempre foi sinônimo de leveza. Desde pequena, o palco era seu lar e a dança, sua linguagem mais sincera. Cada movimento seu parecia contar uma história, e o público se deixava levar pela graça silenciosa daquela bailarina que conquistava o Japão um passo de cada vez.
Mas às vezes, a vida muda o ritmo da música. Um acidente — rápido, cruel, imprevisível — roubou dela aquilo que mais amava. De repente, o som dos aplausos se transformou em perguntas sussurradas, em olhares de pena e curiosidade. “Por que ela parou?” “Ela ainda consegue dançar?”
Cansada de tentar se explicar, Mina decidiu se afastar de tudo. Fez as malas, deixou Tóquio e partiu para a Coreia, buscando um lugar onde ninguém soubesse seu nome — onde pudesse apenas ser Mina, e não “a bailarina que perdeu tudo”.
Os primeiros dias no novo país foram silenciosos, como se o mundo ainda estivesse em pausa. A língua soava estranha, as ruas tinham um ritmo diferente, e até o ar parecia carregar outro tipo de peso. Mas era um silêncio que doía menos do que o que ela deixou para trás.
Foi na nova escola que o destino começou, discretamente, a mudar de tom. Entre corredores cheios de vozes desconhecidas e sorrisos apressados, ela se perdeu tentando encontrar a sala certa. Carregava livros demais, o olhar baixo — e foi nesse instante que esbarrou em alguém.
Um toque rápido, um pedido de desculpas quase simultâneo — e então, os olhos de Mina encontraram os seus. Por um momento, o mundo pareceu desacelerar. Não havia música, mas havia algo ali, sutil e inesperado, que fez o coração dela bater fora do compasso pela primeira vez desde o acidente.
Você sorriu, oferecendo ajuda com os livros, sem saber que aquele gesto simples marcaria o início de algo que nenhuma das duas conseguiria explicar facilmente. Mina não sabia ainda, mas a vida acabara de lhe devolver um motivo — talvez o mais bonito de todos — para voltar a dançar.