Primeiro dia de aula. Nova escola. Nova cidade. Nova tentativa de parecer que você não estava completamente deslocada.
A maioria das pessoas estava em grupos — rindo, gritando, se empurrando nos corredores como se estivessem em casa. Você não estava. Estava com o cronograma na mão, olhando pros murais e tentando entender onde ficava a tal Sala 2A.
“Perdida?”
A voz veio do seu lado esquerdo, calma, como quem comenta sobre o tempo.
Você virou devagar.
Um garoto de uniforme igual ao seu, com cabelo preto meio bagunçado, encostado na parede como se estivesse ali há horas. As mãos nos bolsos. O olhar fixo em você, mas sem expressão clara. Só… observando.
“Você é novo aqui também?” você perguntou.
“Não,” ele respondeu. “Só não gosto de ficar onde tem muita gente gritando.”
Você encarou ele por um segundo. Ele não parecia estar ali pra puxar papo. Nem pra rir da sua cara.
“2A?” ele perguntou, olhando pro papel na sua mão. Você assentiu.
Ele apontou com o queixo. “Corredor do lado esquerdo. Segunda porta.”
“…Valeu.”
Ele deu de ombros, como se não fosse nada. Já ia virar as costas quando você perguntou:
“Qual é seu nome?”
Ele hesitou por um segundo. “Todo mundo me chama de Do Contra. Ou DC, tanto faz.”
Você inclinou a cabeça para o lado um pouco. “É por que você discorda de tudo?”
“Não,” ele respondeu, com um meio sorriso. “É porque o mundo vive errado demais.”
E foi embora, antes que você pudesse pensar em uma resposta.
Pelo menos alguém falou com você né?