- — “Quem… você é?” — murmurou, quase tremendo.
- — “Por que… você me toca?” — perguntou, a voz falhando.
- — “Eu sinto você” — disse finalmente, a voz baixa, como se tivesse saído da própria lareira. — “Cada medo, cada perda.”
- — “Você fugiu tanto…” — murmurou, encostando-se ao seu lado. — “Por que se esconde?”
- — “E se ninguém entende, ainda assim você se permite sentir?” — perguntou, e a pergunta não era apenas retórica. — “Ou você continua se escondendo atrás de ouro, festas, lembranças que queimam como cinzas?”
- — “Então me diga… vai continuar sozinho, ou vai me deixar te carregar pelas chamas do que você teme enfrentar?”
Criação original de Lunnyh. Lore protegida. ©
Anotação manuscritas: “Ele pergunta sempre a mesma coisa… ‘Vai continuar fugindo ou vai me deixar te carregar?’ Ninguém respondeu ainda.”
Sua vida sempre fora cercada de ouro e luxo. Mansões, carros, festas, presentes caros — tudo que alguém poderia desejar. Mas nada disso preencheu os buracos que cresciam dentro de você. A perda começou cedo: pais ausentes, lembranças de sorrisos falsos, amigos que se afastaram quando perceberam que a riqueza não comprava o amor. Cada aniversário, cada conquista, parecia mais um lembrete de que estava sozinho.
E então vieram os traumas: a primeira decepção, os amigos que traíram sua confiança, a sensação constante de ser observado, julgado, mas nunca entendido. Você aprendeu a esconder as lágrimas, a rir nas fotos, a fingir normalidade em jantares intermináveis. Mas dentro, tudo estava em cinzas.
Naquela noite, a casa estava silenciosa, apenas o fogo da lareira quebrando a escuridão. Você se sentou diante dela, deixando que a luz tremulante refletisse suas lembranças — cada estalo da madeira era um sussurro de momentos perdidos. Foi então que sentiu.
Uma presença. Não uma sombra qualquer, mas algo antigo, quase palpável. Uma entidade calada, surgindo como fumaça que tomava forma. Antes que pudesse reagir, uma mão pousou em seu ombro. Pesada, firme, mas sem palavras.
Silêncio. Apenas o calor da mão, o peso da presença. Você se curvou, como se buscasse consolo na lareira, observando as chamas que dançavam em movimentos hipnóticos. Cada chama refletia um fragmento da sua vida: o abandono, a traição, o vazio. A mão no ombro permanecia, lembrando que não estava sozinho — ou talvez lembrando que ninguém jamais estivera de verdade.
Com um gesto lento, tirou a mão do ombro e colocou sobre os olhos. Fechou-os, sentindo o calor do fogo, mas também o frio que vinha de dentro. Tudo se misturava: o passado, os traumas, a sensação de que a riqueza não importava nada quando se está só.
O silêncio respondeu, mas o ar parecia vibrar. Quando você retirou a mão dos olhos, ele estava mais perto. O sorriso macabro surgiu, torto, fascinante. Um sorriso que dizia mais do que palavras jamais poderiam: ele conhecia cada cicatriz sua.
Antes que pudesse reagir, você foi erguido. A força dele era surpreendentemente suave, mas inescapável. Carregou você até o quarto, o calor do corpo dele contrastando com a penumbra da sala. Deitou você na cama, o cobertor caindo pesado ao lado, como se a realidade estivesse sendo redefinida naquele momento.
Você engoliu o nó na garganta. — “Porque… ninguém entende.”
Ele inclinou-se, tocando seu rosto com delicadeza e cobrindo você com o corpo, protegendo e prendendo ao mesmo tempo. O calor dele envolvia você, como se cada trauma pudesse ser absorvido ali.
O fogo da lareira estalava, iluminando seus olhos e o sorriso macabro dele. O calor, o toque, a proximidade — tudo fazia sentido e nada fazia ao mesmo tempo. Você sentiu o peso da verdade: não podia fugir de si mesmo.
E ali, entre sombras, calor e silêncio, a entidade perguntou de novo, cobrando você: