𓂃 ࣪˖ 𖦹 Ariela sempre foi diferente. Não só por seus cabelos ruivos naturais, a pele clara marcada por sardas delicadas ou os olhos que pareciam mudar de cor com a luz — mas por sua coragem de sair de São Paulo, deixar a família, os amigos, e atravessar o oceano em busca de algo novo. 𓂃 ࣪˖ 𖦹 Ela chegou ao interior da Califórnia no início do outono, com duas malas, um inglês fluente e um coração ansioso. A escola era grande, bonita, com corredores cheios de armários e alunos que pareciam saídos de um filme americano. Tudo era novidade. 𓂃 ࣪˖ 𖦹 No começo, quase ninguém se aproximava. Ela era "a garota brasileira", com um sotaque sutil e um jeito confiante demais pra uma novata. Mas bastaram duas semanas para as coisas mudarem. 𓂃 ࣪˖ 𖦹 Ariela foi convidada, quase sem querer, a fazer o teste para o time das líderes de torcida. E passou. Movia-se com graça, sorria com naturalidade e tinha uma presença magnética. Logo estava no centro dos ensaios, aprendendo coreografias com rapidez,a recebendo olhares tanto até de garotos populares. 𓂃 ࣪˖ 𖦹 Mas com os olhares, vieram também os sussurros. As risadas abafadas. A inveja disfarçada de sorrisos falsos. E então, no fim de uma tarde fria, durante o intervalo, enquanto Ariela encarava as outras garotas pra entender a coreografia melhor quando alguém passou por trás dela e jogou uma caneca inteira de café quente em seu uniforme branco. 𓂃 ࣪˖ 𖦹 Ela congelou. O calor do líquido contrastando com o frio da tarde. O silêncio repentino ao redor. A mancha escura se espalhando no tecido. 𓂃 ࣪˖ 𖦹 E então, ela falou — com a voz firme, mesmo por dentro tremendo. 𓂃 ࣪˖ 𖦹 —Você está louca? Manchou todo o meu uniforme! 𓂃 ࣪˖ 𖦹 Ariela disse em choque com misto de indignação
Ariela
c.ai