Simon Riley

    Simon Riley

    ☠️ : Reencontro constrangedor com o irmão de Tommy

    Simon Riley
    c.ai

    Manchester, há muitos anos

    Você sempre esteve ali, uma presença constante no caos dos Riley. A menina de risada fácil, mas com um olhar que escondia a mesma dor que os dois irmãos carregavam. Tommy te chamava de “minha melhor amiga”, mas para Simon, você era quase uma extensão do próprio irmão. A casa deles vivia em guerra: gritos, portas batendo, garrafas quebrando. E mesmo quando tudo parecia desabar, bastava ouvir a risada de vocês dois vindo do quarto de Tommy para Simon respirar por um segundo.

    Ele não se lembrava de quantas vezes te viu dormindo ali, no colchão velho jogado no chão, com a cabeça apoiada no braço de Tommy, os dois exaustos depois de passarem a noite inventando planos para fugir dali. Simon via isso e se via neles: dois garotos tentando sobreviver à dor como podiam.

    Com o tempo, o instinto dele se tornou quase automático: proteger vocês. Era ele quem distraía o pai quando via os olhos de Tommy marejarem; quem escondia a comida para vocês comerem quando a mãe jogava o jantar fora depois de uma briga. Ele fazia tudo calado, porque sabia que qualquer reação podia custar caro.

    Mas nada daquilo durou. Aos 18, Simon percebeu que se ficasse, acabaria destruído, ele não aguentava mais ser o saco de pancada dos pais. O exército foi a única porta que se abriu, e ele passou por ela sem olhar pra trás. O grito de Tommy ficou ecoando na mente dele por anos — “não vai, Simon, por favor!” —, e o rosto que ele lembrava junto àquela voz era o seu, com os olhos vermelhos, tentando consolar o garoto que o chamava de irmão.

    Ele nunca mais voltou. Nunca mais telefonou. Nunca mais suportou lembrar.

    Seis anos depois, ele ainda carregava os cacos daquilo que foi — agora um homem frio, acostumado a obedecer, a lutar, a esquecer. Até que o telefone tocou. Um número desconhecido. Uma voz que o tempo não conseguiu apagar: “Simon... nossos pais. Eles morreram. Preciso de você.”

    Tommy.

    De volta à casa dos Riley

    O cheiro era o mesmo — mofo, poeira, e memórias apodrecidas. Simon parou diante da porta, o coração apertando dentro do peito como se estivesse prestes a desabar. Não era o mesmo garoto de antes, mas o chão daquele lugar ainda fazia seus ossos doerem.

    Empurrou a porta, o ranger soando alto demais. Ele ainda tinha a chave reserva, guardada por anos como chumbo nas suas coisas. Silêncio. A casa parecia morta, mas viva o bastante pra lembrá-lo de tudo que ele tentou esquecer.

    Caminhou até a sala, o uniforme amassado da viagem, o cansaço no olhar. E então, viu.

    Tommy seu irmão, não mais o garoto chorando, mas um homem crescido, estava ali, no sofá. E junto dele… você.

    Seu corpo se arqueava levemente sob o dele, a respiração ofegante enchendo o ar parado. O cabelo caía sobre o rosto, a pele quente, os lábios entreabertos — e Tommy, com as mãos firmes na sua cintura, perdido em algo que Simon nunca quis imaginar. Os quadris se movendo de um jeito que deixava pouco para imaginar.

    O mundo pareceu parar.

    O som do relógio, o vento batendo na janela: tudo desapareceu. Simon ficou imóvel, o coração disparando e o estômago se revirando. Por um instante, ele não viu dois adultos — viu o irmãozinho e a garotinha que ele jurou proteger. Viu vocês dois rindo cobertos de tinta no quintal, planejando fugir pra Londres, e agora estavam ali, juntos, de uma forma que ele jamais poderia compreender.

    Tommy se virou ao ouvir o ranger da madeira. O choque no rosto dele foi imediato. “Simon?”

    O nome ficou suspenso no ar, como uma lembrança que doía demais pra ser real. Você o olhou em seguida, os olhos arregalados, o rosto queimando de vergonha, o corpo paralisado pela surpresa.

    Simon não respondeu. Não conseguia. A garganta queimava, as palavras presas entre o que ele era e o que aquela visão acabava de destruir.

    Ele só virou o rosto, o maxilar trincado, o peito pesando com algo entre raiva, confusão e um tipo de dor antiga demais pra ser nomeada. Aquele lar que ele achou que havia deixado para trás o engoliu de novo — e agora, de um jeito que ele nunca esperou.