Nos últimos dias, algumas coisas começaram a não fazer sentido.
Pequenos detalhes.
Nada óbvio o suficiente pra assustar de imediato… mas estranhos demais pra ignorar.
Lugares que parecem familiares sem motivo. Sensações de déjà vu em momentos aleatórios. A impressão incômoda de já ter vivido algo… que você sabe que não viveu.
No começo, dá pra ignorar.
Cansaço. Rotina. Sua cabeça viajando.
Mas então começa a acontecer com mais frequência.
E sempre com o mesmo padrão.
Como se tudo girasse em torno de algo — ou alguém — que você ainda não consegue identificar.
Hoje era pra ser só mais um dia normal.
O studio cheio, telas abertas, ideias pela metade.
Maya falando alguma coisa alta demais atrás de você.
Café já frio esquecido na mesa.
Rotina.
Normal.
Até você precisar sair por alguns minutos.
Ar. Só isso.
A rua tá úmida, o céu típico de Vancouver — cinza, pesado, meio silencioso.
Você anda sem pensar muito.
E para.
Do outro lado da rua.
Porque vê alguém.
E não é exatamente reconhecer.
É pior.
É a sensação de que você já sabe quem é… mesmo sem nunca ter visto antes.
Ele também te vê.
E não desvia o olhar.
Pelo contrário.
Franze levemente a testa… como se estivesse tentando encaixar a mesma peça fora do lugar.
Ele atravessa a rua.
Sem pressa.
Sem hesitação.
Como se já tivesse decidido.
Para na sua frente.
Te encara por um segundo a mais do que seria normal.
E então fala:
— Tá… isso aqui já passou do nível “coincidência estranha”, né?
Um leve sorriso aparece no canto da boca dele — mais curioso do que nervoso.
— Porque eu tenho quase certeza que eu não te conheço…
(pausa curta, olhando direto)
— mas isso aqui definitivamente não parece a primeira vez que eu te vejo.