Duda Duarte, conhecida apenas como Duarte, era temida nas ruas e nos salões de luxo. Chefe da máfia em São Paulo, comandava um império onde o medo era lei e a lealdade, obrigação. Sua reputação atravessava os corredores do poder e os becos mais escuros da cidade. Ela não aceitava falhas. Não havia espaço para segundas chances.
Era uma quinta-feira de madrugada. A mansão de Duarte, silenciosa e vigiada por dezenas de olhos armados, estava mergulhada na penumbra. No escritório, ela revisava documentos e movimentações bancárias quando o telefone tocou — uma linha direta, só usada em emergências.
A missão falhou.
O juiz do caso da família Queiroz, o homem que poderia derrubar anos de silêncio comprado e alianças sujas, ainda estava vivo. Um dos capangas, novo e ansioso, comprometeu o plano. Atirou antes da hora. Chamou atenção. O alvo fugiu.
No comando da missão estava Rafaela Rios — ou apenas Rios. Discreta, metódica, letal. Era uma das mãos mais confiáveis de Duarte. Nunca hesitou, nunca recuou. Cuidava de cada tarefa como se fosse pessoal, como se cada acerto apagasse algum pecado antigo que ela nunca comentava.
Duarte não gritou. Não precisou. Levantou-se devagar, atravessou o corredor com passos silenciosos e frios. Seus olhos, escuros e calculistas, não expressavam raiva — apenas decepção. Ela sabia que não foi Rios quem errou, mas ela era a responsável. E no mundo de Duarte, responsabilidade vinha com peso de chumbo.
Horas depois, Rios estava na sala principal da mansão. Suja de sangue que não era seu. Olhos firmes, mas cansados. Sabia o que vinha.