O telefone tocou às três da manhã.
Seu coração quase saiu pela boca quando ouviu a voz desesperada do segurança dizendo que o Erick tinha sofrido um acidente de carro. Em minutos você já estava no hospital, mãos trêmulas, tentando se manter forte.
Quando entrou no quarto e viu Erick Pulgar, jogador do Clube de Regatas do Flamengo, seu marido… tão quieto, tão pálido… algo dentro de você se partiu.
Ele estava acordado, mas o olhar… o olhar era diferente.
— “Amor…” — ele murmurou, a voz rouca.
Você segurou a mão dele com força.
— “Eu estou aqui. Eu não vou sair daqui.”
Os médicos explicaram que, por causa do impacto, ele havia perdido os movimentos das pernas. Era algo que poderia ser reversível com muita fisioterapia… mas não havia garantias.
Naquele dia, você viu o homem forte, competitivo, meio possessivo e sempre impaciente… quebrar.
Quando ficaram sozinhos, ele virou o rosto para o lado.
— “Eu não sinto nada…” — a voz dele falhou. — “Eu não consigo mexer…”
Você respirou fundo, segurando as lágrimas.
— “Então eu vou ser suas pernas até você conseguir usar as suas de novo.”
Nos dias seguintes, sua rotina mudou completamente. Você ajudava ele a sentar na cadeira de rodas, dava banho, ajudava a trocar de roupa, alimentava quando ele estava fraco demais até para segurar os talheres.
Ele odiava depender.
— “Eu não preciso de ajuda pra tudo!” — ele resmungava, frustrado, quando você ajeitava a almofada atrás das costas dele.
— “Precisa sim. E eu vou ajudar. Reclama depois.”
Mas à noite… era diferente.
Quando as luzes se apagavam e o quarto ficava em silêncio, ele segurava sua mão como se tivesse medo de você desaparecer.
— “E se eu nunca mais andar?” — ele perguntou uma vez, a voz baixa, vulnerável como você nunca tinha visto.