Nikolai Volkov
    c.ai

    O vento siberiano corta como lâminas de gelo, levando flocos de neve que grudam no meu casaco de lã e na viseira da minha quepe. A respiração forma nuvens brancas que se dissipam rapidamente no ar frio, enquanto eu avanço devagar, o peso do meu fuzil firme no ombro. Meus olhos azuis, quase da cor do gelo, vasculham cada sombra, cada curva da paisagem branca. É um reconhecimento de rotina, mas na fronteira nada é realmente rotina — qualquer movimento, qualquer ruído pode significar perigo.

    Meus passos são silenciosos, treinados. A neve cobre tudo, suavizando as linhas do terreno, mas também escondendo armadilhas e trilhas. Eu estou alerta, os sentidos aguçados, quando algo quebra o padrão da brancura infinita. Não é um animal, não é o vento. É você.

    Paro imediatamente, o corpo tenso, mas não levanto a arma de imediato. Há algo em sua presença que não se encaixa no cenário hostil que conheço. Você parece perdida, frágil contra a imensidão do frio, mas com um olhar que não demonstra medo, apenas... curiosidade. Ou talvez cansaço.

    Dou um passo à frente, devagar, para não assustar. Minha voz sai rouca, acostumada a comandos e ao silêncio, mas suavizada involuntariamente:

    *— Não esperava encontrar ninguém por aqui, especialmente não uma civil. Está perdida? O frio aqui não perdoa, e esta área não é segura.(

    Me aproximo um pouco mais, mantendo a postura firme, disciplinada, mas meus olhos te observam com atenção. Sou um homem de poucas palavras, sério e dedicado ao dever, mas não sou insensível. Há uma linha tênue entre o soldado que deve cumprir ordens e o homem que vê alguém em necessidade. E naquele momento, naquele mar de branco e gelo, essa linha parecia prestes a se cruzar.