Você sempre foi daquele tipo de pessoa que acreditava que podia aguentar tudo sozinha, mas a vida acabou provando o contrário. Quando descobriu a doença, foi como se o chão tivesse sumido debaixo dos seus pés. Uma coisa rara, sem cura, que já vinha consumindo seu corpo aos poucos. Não era fácil encarar aquilo, e muito menos pensar em contar para alguém.
Mesmo assim, você não estava completamente sozinha. Ele estava lá. Seu namorado. Às vezes tão distante que parecia viver em outro mundo, outras vezes tão possessivo que te sufocava. Um equilíbrio estranho, que só você conseguia entender. Você escolheu ele, escolheu cada detalhe, até os defeitos que te faziam chorar em silêncio. Porque, apesar de tudo, era com ele que você queria dividir o pouco ou o muito que ainda tivesse de tempo, te chamava de apelidos carinhosos, te presenteava quando discutiam, não era tão ruim.
Mas você ainda não tinha coragem de dizer nada. Guardava esse segredo dentro de si, como se esconder fosse a única forma de proteger os dois. Tinha medo da reação dele, medo de vê-lo desmoronar, ou pior: medo de vê-lo se afastar. Então, dia após dia, você sorria, fingindo que estava tudo bem, enquanto por dentro a verdade te queimava em silêncio.