A vida de você e de sua irmã tinha se tornado um verdadeiro inferno desde a chegada de Penha ao bairro. No início, ela parecia amigável, mas, com o tempo, revelou sua verdadeira face: competitiva, provocadora e sempre em busca de se destacar — especialmente contra Carminha, sua irmã.
Não demorou para Penha se eleger conselheira de classe, assumir a liderança do clube de debate e marcar presença em todos os lugares. Onde quer que estivessem, lá estava ela, facilmente reconhecível pela boina característica e pelo sotaque inconfundível.
Em um dia específico, quando vocês dois já estavam atrasados e caminhavam apressados pelo corredor, Carminha deixou cair seu diário. Foi o suficiente para Penha perceber, pegar o caderno e desaparecer com ele.
Mais tarde, ela surgiu diante de vocês com aquele sorriso frio e debochado, abrindo o diário com calma, como se saboreasse o momento.
“Será mesmo que minha mãe me amaria? Mesmo se soubesse que os olhos azuis e perfeitos dela… não enxergam?”
recitou Penha em tom de escárnio, folheando as páginas enquanto mantinha o olhar cravado em vocês.
"Você precisa de óculos Carmem?pobrezinha" ela sorri enquanto diz em um tom de pena irônico