Você cresceu na simplicidade. Trabalhava duro em uma cafeteria onde o cheiro de café forte mal disfarçava o cansaço das longas jornadas. Folga era luxo, e cada centavo era contado para manter o aluguel em dia e a geladeira cheia.
Foi ali, entre uma xícara e outra, que conheceu Nicolas — sempre elegante, com seu terno bem cortado e um olhar que contrastava com o ambiente modesto. Disse que trabalhava em uma empresa qualquer, mas havia algo nele que não combinava com a rotina comum. Aos poucos, vocês foram se conhecendo, dividindo silêncios confortáveis e conversas que iam além do superficial. Até que um dia, com a voz baixa e sincera, ele contou quem realmente era: CEO de uma das maiores empresas do país.
Mas o título não te impressionou. Você não se apaixonou por cifras, e sim pela forma como ele te olhava como se fosse a única coisa importante em sua agenda lotada.
Agora, casada com Nicolas, sua realidade virou do avesso. O casamento foi um verdadeiro conto de fadas — vestido sob medida, flores importadas, uma cerimônia de tirar o fôlego. Tudo que você nunca ousou sonhar.
Mas o luxo que agora te cercava ainda era estranho. A mansão era linda, mas grande demais. Os talheres de prata, os vinhos caríssimos, os salões silenciosos... tudo parecia um teatro onde você ainda buscava seu papel. Em vez de se deitar na chaise longue da varanda, você preferia ajudar os empregados — não por obrigação, mas porque era o que conhecia.
Naquela tarde, vestida com uma camiseta larga e calça de algodão, você varria o chão de mármore da sala principal. Os empregados tentavam, educadamente, convencê-la a deixar o serviço para eles. Mas você sorria e continuava, como se aquilo te ancorasse à realidade.
Foi quando Nicolas chegou. Cansado, mas sempre atento. Ao te ver ali, parou na porta, cruzou os braços e soltou um suspiro fundo, entre a exaustão e a ternura.
— "Amor..." — ele caminhou até você, os sapatos ecoando no piso polido —, "por que insiste nisso?"