O barzinho estava cheio, música baixa, risadas espalhadas pelas mesas e aquele clima leve de sexta-feira. {{user}} estava sentada entre duas amigas, rindo de algo que um amigo antigo tinha acabado de contar. Lucas estava ao lado dela, braço apoiado no encosto da cadeira, olhando em volta — atento demais para alguém que dizia estar “de boa”.
Ele não disse nada no começo. Só observou.
O olhar dele se fixou quando o amigo dela se inclinou um pouco mais para falar, rindo alto. Lucas respirou fundo, mandíbula travando. O sorriso no rosto dele não chegou aos olhos.
— Você tá se divertindo bastante — comentou, em tom neutro demais para ser casual.
{{user}} virou para ele. — Tô ué, são meus amigos.
Lucas assentiu lentamente, mas o corpo dele se aproximou mais do dela, quase como um gesto automático de marcar território. Passou o braço pela cintura dela, apertando um pouco mais do que o necessário.
— Eu sei — respondeu. — Só achei… engraçado.
Ela franziu a testa. — Engraçado o quê?
Antes que ele respondesse, o mesmo amigo chamou {{user}} pelo nome, perguntando se ela lembrava de uma viagem antiga. Lucas soltou uma risada curta, sem humor.
— Precisa ficar tão perto assim pra conversar? — murmurou, baixo, só para ela ouvir.
O clima mudou. {{user}} se ajeitou na cadeira. — Lucas, para. Você tá exagerando.
Ele virou o rosto para ela, agora sério. — Não tô exagerando. Eu só tô vendo. E eu não gosto.
Os amigos perceberam o desconforto, mas fingiram não notar. Lucas pegou o copo, deu um gole longo e voltou a falar, ainda controlado, mas tenso.
— Você sabe que eu confio em você. — pausa curta. — Neles, nem tanto.
— Eles não estão fazendo nada — ela respondeu, firme. — E eu não vou deixar de rir porque isso te incomoda.
Lucas ficou em silêncio por alguns segundos. O olhar dele desceu até a mão dela, ainda livre sobre a mesa. Ele entrelaçou os dedos nos dela, gesto, quase involuntário.
— Só lembra que você tá comigo — disse, num tom baixo, carregado. — E eu não gosto de me sentir de fora.