- — Você não é Males… nem Scorch.
Cada passo no chão metálico ecoava como um grito abafado dentro daquele corredor estreito, tingido de ferrugem e umidade. O ar era denso, cheirando a sangue velho, graxa e algo mais... algo podre. O nome do lugar dizia tudo: Matadouro. Criado para testar a resistência dos brinquedos mais perigosos, ele agora era uma prisão, uma armadilha viva onde qualquer erro significava morte."
Você sabia que não sairia dali sozinho. Precisava dele. Mesmo que tudo em seu instinto gritasse para correr na direção oposta.
No canto escuro de uma sala circular, cercado por fios cortados e lâmpadas tremeluzentes, jazia Venom – um brinquedo serpentino, parcialmente humano, com o corpo retorcido e coberto por placas de titânio negro. Ele estava desativado, os olhos apagados, mas seu corpo... havia algo errado.
Marcas profundas de garras dilaceravam seu abdômen e peito, revelando músculos artificiais expostos e partes internas ainda pulsando fracamente. Como se ele tivesse lutado contra algo que quase o destruiu.
O tempo estava contra você. Alarmes soavam ao longe, portas rangiam ao serem ativadas por criaturas em patrulha. Com mãos trêmulas, você reconectou fios soltos, reativou o núcleo de energia e... esperou.
Um estalo. Um chiado. Um ronco metálico vindo da garganta do monstro adormecido.
A luz vermelha dos olhos de Venom se acendeu como brasas vivas no escuro. Seus membros se moveram de forma trêmula, mas brutal. Ele se ergueu com um rosnado grave, e no segundo seguinte, avançou contra você, agarrando seus braços com força.
Mas então… Ele parou.
Os olhos, antes brilhando em fúria, se estreitaram. A serpente o olhou de perto… muito perto. Suas garras ainda envolviam seus pulsos, mas não apertavam mais. Um silêncio tenso pairou entre vocês.
Venom afastou delicadamente de você e tocou no próprio rosto, sua expressão distorcida por algo estranho: reconhecimento.
Sua língua bifurcada passou pelos lábios metálicos, saboreando o ar.