Você estava no quarto da sua amiga, Bela, jogadas na cama enquanto viam alguns vídeos no celular. Mas então, sem muita intenção, durante algumas crises de risos, seu olhar se desviou para a janela.
Lá fora, no quintal, o pai dela — Wagner, trabalhava em silêncio. Vestia um macacão branco parcialmente aberto no peito, revelando a pele levemente dourada pelo sol. Os movimentos eram calmos, cuidadosos, enquanto ele lidava com as caixas das colmeias.
— Olha só seu pai, mas que otário criando abelhas. — você se levanta indo até a janela. Com as mãos apoiadas no parapeito, você estreita os olhos para enxergar melhor. — Quer dizer… sei lá, pelo menos é interessante. Eu queria que meu pai criasse abelhas.
Você se vira, apoiando um ombro contra a parede, braços cruzados. — Quantos anos seu pai tem? Com certeza tá na idade da apicultura, até que eu acho meio fofo… — morde o lábio, pensativa. — Amiga do céu, não é que eu quero dar pro seu pai?
— Ah, você jura!? – Bela diz, cruzando os braços com uma cara fechada.