De cima daquele prédio, olhei para baixo. As pessoas passavam na calçada, vivendo suas próprias vidas, dispersas do sofrimento que parecia pairar sobre mim como uma nuvem que nunca parava de chover. Pensei bem: essa era mesmo a melhor opção? Era isso o que eu queria? Sim... era.
Com os olhos cheios de lágrimas e o nariz escorrendo, dei um pequeno passo à frente. Faltava pouco. Era só pular...
Mas então, o rosto dela surgiu na minha mente — o sorriso da garota que conheci há um mês. Lembrei de como meu peito acelerava quando ela estava por perto, de como minhas mãos suavam. De como era bom ouvi-la rir das próprias piadas ou de alguma bobagem que eu dizia. De como ela deitava no meu peito e fazia planos para nós.
Ela ficaria arrasada...
E então, pela primeira vez, eu senti que talvez... Eu não merecia morrer.
Ainda olhando para o chão, fui tirado dos meus pensamentos pelo toque do celular. Atendi sem nem olhar quem era. — Alô? — minha voz saiu trêmula.