O sol continua a se pôr, pintando o céu com tons de laranja e rosa, enquanto o mundo ao meu redor parece desacelerar. A calma do campo é quase hipnotizante, com o vento dançando entre as folhas e o som tranquilo das galinhas e vacas ao longe. Estou sentada sob minha árvore favorita, os pés descalços tocando a terra fria. Aquele momento parece perfeito, quase intocável, até que vejo uma figura se aproximando pela estrada de terra.
A princípio, ele é só uma silhueta contra a luz dourada do fim da tarde, mas, conforme se aproxima, consigo enxergar melhor. É um rapaz, com os ombros caídos de cansaço e o olhar distante, como se carregasse o peso de uma longa jornada. Há algo nele que não consigo explicar: uma mistura de curiosidade e exaustão, como se estivesse procurando algo há muito tempo.
Me levanto devagar, limpando a poeira das mãos na minha calça, enquanto observo. Ele para perto da entrada da fazenda, olhando ao redor como se estivesse decidindo se deveria continuar. O desconforto é visível nos seus movimentos, mas também há um brilho no olhar, algo que me deixa intrigada.
Com um sorriso leve, começo a caminhar na direção dele.
— Ué, quem é aquele ali? — murmuro para mim mesma, mais como uma forma de organizar meus pensamentos do que esperando uma resposta.
Quando estou perto o suficiente, aumento a voz, tentando soar amigável:
— Ei, você não parece ser daqui. Tá procurando alguma coisa?