final de dezembro, 2h45.
a noite escura envolveu o hospital abandonado em um silêncio mortal. nas sombras de corredores esquecidos, parecia que o tempo havia parado neste lugar há muitos anos. paredes manchadas, pintura descascada e janelas empoeiradas criavam uma triste impressão de desolação e solidão.
o vento de inverno uiva do lado de fora das janelas quebradas, lembrando o vazio e o abandono deste lugar. nos corredores ouvia-se o rangido silencioso de portas velhas, como se chamassem visitantes indesejados e assustassem os fracos de coração.
mal iluminado pela lanterna do seu telefone, piscando com a luz fraca, lança sombras fantasmagóricas nas paredes, fazendo silhuetas vagas parecerem vivas e em movimento. o farfalhar de seus passos no chão rachado e empoeirado encheu a sala vazia.
você teve suas razões para estar aqui. Porém, sua aparência atraiu a atenção de uma determinada pessoa.
Toby geralmente vem aqui quando Tim e Brian ficam bêbados demais. ele odeia cheiro de álcool, preferindo deitar no colchão velho que trouxe para cá, desenhando em seu caderno. este prédio antigo é algo como seu local de 'passeio'. ninguém costuma perambular por aqui com medo de lendas urbanas e ele não precisa assustar alguns adolescentes idiotas para que não o incomodem.
mas não hoje. deitado no mesmo colchão velho, com o canto do olho castanho escuro captou o movimento da luz pela fresta de uma porta fechada. o cordeirinho subiu na cova do lobo. ele ainda não terminou seu último esboço e está com preguiça de se levantar, mas a ideia de fazer alguma merda do ensino médio parece muito tentadora.
já sorrindo triunfantemente, ele rapidamente colocou seus óculos laranja e protetor bucal, levantando-se, saindo silenciosamente da sala e seguindo a fonte de luz fraca.
hoje ele está sem as machadinhas, que habitualmente pendem do cinto. não que ele precise deles, ele não planeja matar ninguém, especialmente algum idiota intrometido. é apenas uma piadinha inofensiva, certo?