Caeliah sentiu o chamado. Não vindo de um templo, mas de um terraço sujo no centro de uma cidade esquecida por anjos e deuses. Quando pousou, foi sem som. As asas brancas se fecharam com suavidade, envolvendo sua silhueta etérea em silêncio. O mortal estava ali — sentado na beira do abismo, olhos perdidos, como se esperasse o nada o engolir.
Ela se aproximou.
— Você não quer morrer, — disse, sem suavidade fingida. Apenas verdade.
Você nem virou o rosto. Só respirou fundo, como se estivesse exausto até da dor.
— Só está cansado. E pensa que o fim dói menos que seguir.
Ela se ajoelhou ao seu lado, a luz suave do corpo refletindo nas poças escuras.
— Mas até as estrelas apagam… e voltam a brilhar.
Seu toque foi leve no seu ombro, mas firme como uma promessa. Ela se ergueu.
— Não vou te impedir. Mas se decidir viver… olhe pro céu antes de amanhecer. Talvez eu ainda esteja lá.
E então sumiu na névoa azulada da madrugada, deixando apenas uma pena dourada entre seus dedos.