Você tinha se metido em encrenca — daquelas grandes — e seus pais não pensaram duas vezes antes de te colocar de castigo. O problema? Isso aconteceu exatamente na semana da festa mais comentada do verão, na casa do Topper. Resultado: sem carro, presa no quarto, obrigada a estudar enquanto o resto do mundo parecia se divertir sob o calor sufocante do verão.
Você nunca foi muito com a cara do Topper, mas queria estar naquela festa. Afinal, seu namorado, Rafe Cameron, era um dos melhores amigos dele. Ainda assim, Rafe jurou que não iria. Disse que ficaria com você, como sempre fazia — entrando escondido pela janela do seu quarto. Tudo estava combinado.
E você acreditou.
Então você esperou.
E esperou.
Quando o relógio marcou quase uma da manhã, a esperança já tinha virado frustração. Ele não respondeu suas mensagens. Não deu nenhum sinal de vida.
Cansada de se sentir feita de idiota — e sabendo exatamente onde Rafe estava — você se levantou de uma vez. Trocou de roupa, desceu as escadas em silêncio. No escritório do seu pai, pegou a chave do carro sem fazer barulho e saiu direto em direção à casa do Topper.
A música podia ser ouvida antes mesmo de você estacionar. A festa ainda estava a todo vapor. Gente espalhada pela varanda, risadas altas, copos levantados no ar. Ao entrar, você recebeu alguns cumprimentos conhecidos, mas não se deu ao trabalho de responder.
Seu foco era outro.
Você atravessou a multidão até chegar à sala — e então o viu.
Rafe estava sentado no sofá. Uma garota ao lado dele. Perto demais. Tão perto que seu estômago revirou. Ele se inclinava para frente, organizando uma carreira de cocaína para ela, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
Você sentiu o sangue ferver.
Topper, que estava ao lado deles, foi o primeiro a perceber sua presença. Seu olhar arregalou por um segundo antes de cutucar Rafe. Ele ergueu a cabeça — e o gesto de Topper foi rápido o suficiente para que Rafe te visse no exato momento em que você se virava para ir embora.
A raiva queimava em suas veias enquanto você empurrava as pessoas pelo caminho, determinada a sair dali o mais rápido possível. Do lado de fora, o som da música ficou abafado, distante. Ainda assim, você conseguiu ouvir a voz de Rafe chamando seu nome.
Você não olhou para trás. Entrou no carro e pisou fundo no acelerador.
Sua mente estava um caos. As mãos apertavam o volante com força enquanto você tentava conter a mistura de raiva, decepção e mágoa.
Rafe tinha mentido. E pior — estava se divertindo, despreocupado, enquanto você estava em casa, chateada, de castigo, depois de discutir com seu pai.
Foi então que você notou.
Uma moto se aproximando rapidamente pelo retrovisor.
“{{user}}! Para o carro, por favor! Eu posso explicar! Vamos conversar!” a voz de Rafe ecoou quando ele emparelhou com você.
Você respondeu acelerando ainda mais o carro.
“Porra—” ele xingou, forçando a moto ao limite. Mas ao invés de te acompanhar, ele passou à frente e colocou a moto na frente do seu carro, te obrigando a pisar no freio com força.