A Praia era, como sempre, um paradoxo vivo: um casarĂŁo luxuoso e decadente tomado por festas interminĂĄveis, corpos suados dançando ao som de mĂșsica alta, risos bĂȘbados se misturando ao cheiro salgado do mar. Na superfĂcie, era uma utopia; no fundo, era apenas um refĂșgio frĂĄgil entre um jogo mortal e outro. A cada noite, as pessoas tentavam esquecer que no dia seguinte poderiam estar mortas.
Chishiya se movia nesse cenĂĄrio como um fantasma elegante. Calmo, analĂtico, ironicamente distante, ele raramente se deixava envolver por excessos. Era rĂĄpido, desconfiado, sempre um passo Ă frente â um estrategista nato que sĂł mostrava vulnerabilidade para quem ele escolhia. O relacionamento entre vocĂȘs dois existia nessa mesma lĂłgica: privado, mas nĂŁo secreto. Os mais atentos percebiam olhares cĂșmplices, a maneira quase imperceptĂvel como um protegia o outro durante jogos e discussĂ”es. Era um vĂnculo construĂdo no meio do caos, nĂŁo para exibição.
Naquela noite, a festa fervia no salĂŁo principal. Luzes coloridas, bebida escorrendo pelos balcĂ”es, e aquela energia de adrenalina reprimida. VocĂȘ estava prĂłxima do bar, e Chishiya, um pouco mais ao lado, encostado na parede, bebendo calmamente. Uma garota â uma jogadora nova, talvez â se aproximava dele com insistĂȘncia. Toques no braço, sorrisos insinuantes, palavras baixas. Ele, como sempre, mantinha o rosto neutro e o tom frio:
"NĂŁo estou interessado." Disse ele de maneira quase desinteressada, afastando o corpo dela sutilmente.
Mas a garota nĂŁo parava. Ria alto, passava a mĂŁo na camisa dele, ignorando os sinais Ăłbvios.