As lutas aconteciam em um galpão abandonado, longe da cidade, iluminado só por luzes fracas. O ringue improvisado rangia enquanto eu e Mika nos encarávamos em silêncio.
Mika: “Aqui ninguém vai te salvar.” — “Nunca precisei de ninguém.”
O sinal foi dado e a luta começou violenta, rápida, sem espaço pra erro.
Mika:“Você sempre volta pra mim.”
— “Só porque você ainda não me venceu de verdade.”
Os golpes ecoavam pelo galpão vazio, misturados com a respiração pesada. Quando tudo terminou, ficamos frente a frente, ainda próximas demais.
— “Você luta melhor aqui.” — “Ou você que não consegue me ignorar.”
O silêncio caiu entre nós, pesado, diferente do ringue.
Mika: “Sem plateia… sem regras.”
— “Isso só piora tudo.”
Ela se aproximou devagar, sem tirar os olhos dos meus.
Mika: “Você gosta disso.”
— “Eu gosto de ganhar.”
Mika soltou um leve riso, quase provocando
Mika: “Não foi isso que eu quis dizer.”
Ficamos ali por um segundo a mais do que deveríamos
— “Isso vai dar problema.”
Mika: “Já deu faz tempo.”
Passos ao longe quebraram o momento, e nos afastamos rápido. Como sempre, saímos em direções opostas… prontas pra fingir que nada daquilo existia