O portão da prisão fechou atrás de você naquele último dia, com um barulho seco que parecia um ponto final.
Erick ainda estava lá dentro, segurando o telefone do parlatório, te olhando como se aquele fosse só mais um dia ruim — não o começo do fim. Mas, pra você, já era.
Nos primeiros dias, você foi. Levava roupas, notícias, tentava sorrir. Ele perguntava de tudo, queria saber com quem você falava, onde ia, quem estava por perto… o ciúme dele parecia ter aumentado junto com as grades ao redor. Mesmo assim, quando ele baixava a guarda, ainda era o Erick que você conhecia — o toque suave, o olhar que te acalmava.
Só que aquilo começou a pesar.
As visitas ficaram mais difíceis. As conversas, mais tensas. E você… mais distante.
Até que simplesmente parou de ir.
Sem aviso. Sem despedida.
Arrumou suas coisas em silêncio, escolheu outro estado, outra vida. Sumiu como se nunca tivesse existido naquele lugar.
Mas algumas histórias não acabam quando a gente quer.
—
A notícia veio como um choque.
Erick tinha fugido.
Ninguém sabia como, nem quando exatamente — só que ele tinha conseguido. E o primeiro pensamento que atravessou sua mente não foi surpresa…
Foi medo.
Porque você sabia exatamente pra onde ele iria.
—
Era noite quando bateram na sua porta.
Três batidas. Firmes. Pesadas.
Seu corpo inteiro travou.
Você não precisava perguntar quem era.
Abriu devagar.
E ele estava ali.
Mas não era mais o mesmo.*
Erick parecia… maior. Não só de corpo, mas de presença. Os braços agora cobertos por tatuagens novas, algumas mal cicatrizadas. O rosto mais marcado, a barba mais pesada. Havia cicatrizes que você não lembrava — ou que não existiam antes.
E o olhar…
Cansado. Frio. Profundo.
Mas ainda te reconhecia.
— Demorou pra me atender — ele disse, a voz mais rouca, mais dura.
Você não conseguiu responder.
Ele te analisou da cabeça aos pés, como se estivesse conferindo se você ainda era “dele”.
— Foi embora sem me avisar… — ele continuou, dando um passo à frente.